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23/10/06Sophia Hacker Group - Porque uma vida não tem preço
Página Inicial > O que é preciso saber sobre Influenza Aviária
1) O que é influenza aviária?
A influenza aviária, ou gripe das aves, é uma doença
animal contagiosa, causada por vírus que normalmente infectam apenas
aves e, menos comumente, suínos. Os vírus da influenza aviária são
bastante específicos da espécie, mas em casos raros têm cruzado a
barreira de espécies e infectado seres humanos.
Nas aves, a infecção pelo vírus de influenza
aviária causa duas formas principais de doença, diferenciadas por
extremos de baixa e alta virulência. A forma conhecida como “de baixa
patogenicidade” geralmente causa apenas sintomas leves (penas
arrepiadas, queda na produção de ovos) e pode até nem ser detectada. A
forma “de alta patogenicidade” é bem mais dramática. Ela se dissemina
muito rapidamente entre as aves, causa doença que afeta vários órgãos
internos e causa uma mortalidade que beira os 100%, freqüentemente em
48 horas.
2) Que vírus causam a doença de alta patogenicidade?
Há 16 subtipos de hemaglutininas (H1 a H16) e 9
subtipos de neuraminidases (N1 a N9) de vírus da Influenza A*. Pelo que
se sabe, apenas os vírus dos subtipos H5 e H7 causam a forma altamente
patogênica da doença. No entanto, nem todos os vírus das cepas H5 e H7
são de alta patogenicidade e nem todos causam doença severa nas aves.
Pelo conhecimento atual, os vírus H5 e H7 são
introduzidos nas aves na forma de baixa patogenicidade. Quando se
permite que circulem nos plantéis, eles podem sofrer mutação,
normalmente em poucos meses, para a forma altamente patogênica. Esta é
a razão pela qual a presença do vírus H5 ou H7 nas aves deve ser,
sempre, motivo de preocupação, mesmo quando os sinais iniciais de
infecção são leves.
1 – Os vírus da influenza aviária são agrupados
em três tipos, designados A, B e C. Os vírus A e B causam preocupação
para a saúde humana. Apenas os vírus do tipo A podem causar pandemias.
2 – As cepas, ou subtipos, H são
epidemiologicamente mais importantes, já que comandam a habilidade do
vírus de se unir e penetrar nas células, onde a multiplicação do vírus
ocorre. As cepas N comandam a liberação dos novos vírus recém-formados
nas células.
3) As aves migratórias disseminam os vírus de alta patogenicidade?
O papel das aves migratórias na disseminação da influenza
aviária altamente patogênica ainda não foi inteiramente compreendido.
As aves aquáticas silvestres são consideradas reservatório natural de
todos os vírus do tipo A. Há séculos elas são portadoras dos vírus da
influenza sem que eles lhes causem problemas aparentes. Elas também são
conhecidas por hospedar vírus das cepas H5 e H7, mas normalmente os de
baixa patogenicidade. Evidência circunstancial sugere que as aves
migratórias introduzem nas aves domésticas os vírus H5 e H7 de baixa
patogenicidade. Eles, depois, sofrem mutação para a forma de alta
patogenicidade.
4) O que os atuais focos da doença têm de incomum?
Surgidos no sudeste da Ásia no final de 2003, os atuais focos
de influenza aviária de alta patogenicidade são os maiores e mais
severos já registrados. Nunca antes na história da doença tantos países
foram simultaneamente infectados, o que resultou na perda de milhões de
aves.
O agente causador, o vírus H5N1, demonstrou ser particularmente persistente. Apesar da morte ou destruição de aproximadamente 150 milhões de aves, ele é agora considerado endêmico em muitas partes da Indonésia, Vietnã, em algumas partes do Camboja, China, Tailândia e possivelmente na República Democrática do Laos. O controle da doença ainda deve demorar alguns anos.
O vírus H5N1 também causa particular preocupação no tocante à saúde humana, como se explica a seguir:
As aves aquáticas silvestres são consideradas reservatório natural dos vírus do tipo A e têm carregado os vírus por séculos sem causar danos.
Os atuais focos, que surgiram no sudeste da Ásia no meio de 2003, são os maiores e mais severos já registrados.
O H5N1 em frangos apresenta dois riscos para a saúde
humana: risco de infecção direta e mutação do vírus, adquirindo a
capacidade de transmissão de pessoa para pessoa.
As pessoas são infectadas pela gripe aviária através do contato direto
com frangos infectados ou com superfícies e objetos contaminados por
suas fezes.
5) Que países tiveram aves afetadas?
Entre dezembro de 2003 e fevereiro de 2004, foram reportados
focos causados pelo vírus H5N1em oito nações asiáticas (listadas em
ordem cronológica): Coréia do Sul, Vietnã, Japão, Tailândia, Camboja,
Laos, Indonésia e China. A maioria destes países nunca havia registrado
um foco de influenza altamente patogênica em sua história.
No início de agosto de 2004, a Malásia divulgou seu primeiro foco
de H5N1, tornando-se a nona nação asiática infectada. A Rússia reportou
seu primeiro foco no final de julho de 2005, seguida pelo Cazaquistão
no início de agosto. Ambos países tiveram registro de mortalidade de
aves selvagens causada pelo H5N1. Quase simultaneamente, a Mongólia
detectou o vírus em aves migratórias mortas. Em outubro de 2005, o H5N1
foi confirmado na Turquia e Romênia. Focos em aves domésticas e
migratórias estão sob investigação em outros locais.
Japão, Coréia do Sul e Malásia anunciaram que controlaram o vírus e
agora são considerados livres da doença. Em outras áreas infectadas os
focos permanecem, com graus variados de gravidade.
6) Quais são as implicações para a saúde humana?
A persistente disseminação do H5N1 nas aves apresenta dois riscos principais para a saúde humana.
A primeira é o risco de infecção direta, o vírus podendo passar das
aves para os humanos, o que ocasionaria doença muito severa. Entre os
poucos vírus de influenza aviária que cruzaram a barreira da espécie e
infectaram humanos, o H5N1 causou o maior número de casos de doença
severa e de mortalidade. Diferentemente da gripe sazonal normal, cuja
infecção causa apenas sintomas respiratórios leves na maioria das
pessoas, a doença causada pelo H5N1 segue um caminho clínico agressivo
e pouco comum, com rápida deterioração e alta letalidade. Pneumonia
viral e falência múltipla de órgãos são comuns. No foco atual, mais de
metade dos infectados pelo vírus morreram. A maioria dos casos acometeu
crianças e jovens considerados saudáveis.
Um segundo risco, de preocupação ainda maior, é que o vírus – tendo
oportunidade para isso – sofra mutação e adquira uma forma altamente
infecciosa para os humanos, daí se disseminando facilmente de pessoa
para pessoa. Tal mudança poderia marcar o início de um foco global -
uma pandemia.
7) Onde ocorreram os casos humanos da doença?
No foco que vem desde 2003, casos humanos – laboratorialmente
confirmados – foram reportados em quatro países: Camboja, Indonésia,
Tailândia e Vietnã.
Hong Kong já teve dois focos da doença. Em 1997, na primeira vez em que
se registrou infecção humana causada pelo H5N1, o vírus infectou 18
pessoas e causou a morte de 6 delas. No início de 2003, o vírus causou
duas infecções, com uma morte, numa família de Hong Kong que havia
viajado para o sul da China.
8) De que forma o homem pode ser infectado pelo vírus?
Somente através do contato direto com aves já infectadas ou,
então, pelo contato com superfícies ou objetos contaminados pelas fezes
de aves infectadas. Até agora, a quase totalidade dos casos humanos da
doença ocorreu em zonas rurais ou suburbanas e em áreas onde os
moradores mantêm pequenas criações ao ar livre, permitindo aos animais
entrarem nas casas e viver em íntimo convívio com os moradores ou
freqüentarem os espaços onde as crianças brincam. Como as aves
infectadas expelem grandes quantidades de vírus através das fezes, essa
promiscuidade facilita extraordinariamente a contaminação.
Além disso, como grande parte das famílias asiáticas depende da criação
de aves para a subsistência e a alimentação, é comum venderem ou,
então, abaterem e consumirem aquelas aves que apresentem algum sinal de
doença – uma prática cultural difícil de mudar. Tudo isso potencializa
o risco de infecção do homem, pois está provado que a exposição ao
vírus aumenta durante o sacrifício, depenagem, retirada das vísceras e
cozimento. Não existe qualquer evidência de que aves ou ovos
adequadamente cozidos sejam fonte de infecção.
9) O vírus se dissemina com facilidade para os humanos?
Não. Embora mais de 100 casos humanos de contaminação já
tenham sido registrados no surto atual, este é um número pequeno
comparado ao imenso número de aves afetadas e às inúmeras
possibilidades de exposição humana, principalmente nas áreas onde são
comuns as pequenas criações domésticas, de fundo de quintal. E até hoje
não se sabe porque razão, tendo exposições similares, algumas pessoas
se infectam e outras não.
10) E a possibilidade de uma pandemia?
Para ocorrer, uma pandemia precisa reunir três condições:
surgir uma nova cepa do vírus da influenza; infectar humanos, causando
doença severa; e se disseminar facilmente entre pessoas. O vírus H5N1
reúne as duas primeiras condições: é novo entre os humanos (nunca
circulou amplamente entre as pessoas) e revelou-se capaz de infectar
mais de uma centena de pessoas, matando acima de 50% E ninguém tem
imunidade a um vírus do tipo do H5N1.
Os pré-requisitos para o início de uma pandemia já se encontram
presentes, exceto um: o estabelecimento de uma transmissão fácil e
prolongada entre humanos. O risco do H5N1 adquirir essa habilidade
persistirá enquanto houver possibilidade de ocorrerem infecções
humanas. Estas possibilidades, por sua vez, persistirão enquanto o
vírus continuar circulando entre os humanos – uma situação que pode se
estender pelos próximos anos.
11) O que é preciso para o H5N1 se tornar um vírus pandêmico?
O vírus pode ampliar seu grau de transmissibilidade entre
humanos através de dois mecanismos. O primeiro é um “reagrupamento”
pelo qual haja uma troca de material genético entre os vírus aviário e
humano, durante uma co-infecção de um humano ou suíno. Esse
reagrupamento pode resultar em um vírus pandêmico inteiramente
transmissível, capacidade denunciada pelo surgimento repentino de casos
com explosiva disseminação.
O segundo mecanismo é um processo mais gradual de mutação “adaptativa”,
pela qual - através de subseqüentes infecções em humanos - o vírus vai
aumentando sua capacidade de aglutinação às células humanas. A mutação
“adaptativa” expressa inicialmente por pequenos grupos de casos humanos
com alguma evidência de transmissão de pessoa para pessoa,
provavelmente daria ao mundo algum tempo para tomar medidas de defesa.
12) Qual é a importância da limitada transmissão de humano para humano?
Embora raros, há exemplos da transmissão de humano para humano
do vírus H5N1 e de outros vírus da influenza aviária. Eles ocorreram em
associação com surtos da doença em aves e não devem ser motivo de
alarme. Em nenhuma instância, o vírus se disseminou além da primeira
geração de contatos próximos ou causou doença na comunidade em geral.
Os dados sobre estes incidentes sugerem que a transmissão requer
contato muitíssimo próximo com uma pessoa doente.
Tais incidentes devem ser investigados a fundo, mas – mesmo se
considerando que as pesquisas indicam ser muito limitada a transmissão
de humano para humano – não mudarão a avaliação geral da OMS sobre o
risco de uma pandemia. Há um significativo número de casos de infecção
por gripe aviária ocorrendo entre membros próximos de uma mesma
família. E, normalmente, é impossível determinar se houve transmissão
de pessoa para pessoa, sobretudo se levado em conta que, além do
contato mútuo, os membros da família estão expostos aos mesmos animais
e ao mesmo meio-ambiente.
13) Quão sério é o atual risco de pandemia?
O risco de uma pandemia de influenza é grave. Como o vírus
H5N1 se encontra amplamente disseminado por grandes áreas da Ásia,
persiste o risco de ocorrerem mais casos humanos. E cada caso humano
adicional dá ao vírus uma oportunidade de aumentar o grau de
transmissibilidade entre humanos e, assim, se transformar numa cepa
pandêmica. A recente disseminação do vírus em aves domésticas e
selvagens para novos locais amplia as chances de ocorrerem casos
humanos. Por enquanto, nem o momento nem a severidade da próxima
pandemia podem ser previstos, mas a probabilidade de que ela ocorra
está aumentando.
14) Há outros motivos para preocupação?
Sim. Vários.
- Patos domésticos, que podem excretar grandes quantidades de vírus
altamente patogênicos sem demonstrar sinais da doença, vêm atuando como
“reservatório silencioso” do vírus e perpetuando a transmissão para
outras aves. Isto aumenta ainda mais a complexidade dos trabalhos de
controle e acende um sinal de alerta para que os humanos evitem
comportamentos de risco.
- Quando comparados com os vírus H5N1 de 1997 e do início de 2004, os
H5N1 que circulam atualmente são mais letais para ratos e cobaias
infectados, além de sobreviverem por mais tempo no meio ambiente.
- O H5N1 aparenta ter expandido sua gama de
hospedeiros, infectando e matando espécies de mamíferos antes
consideradas resistentes à infecção causada pelos vírus da influenza
aviária.
- O comportamento do vírus em seu hospedeiro natural, as aves aquáticas
selvagens, pode estar mudando. A morte de mais de 6 mil aves
migratórias na primavera de 2005, numa reserva natural da China,
causada pelo H5N1, é fato incomum e provavelmente sem precedentes. No
passado, sabe-se de apenas duas grandes epidemias em aves migratórias,
causadas por vírus altamente patogênicos: na África do Sul em 1961
(H5N3) e em Hong Kong no inverno de 2002-2003 (H5N1).
15) Porque as pandemias são tão temidas?
As pandemias de influenza (gripe) são ocorrências singulares
capazes de, virtualmente, infectar todos os países. Uma vez iniciada a
disseminação internacional, torna-se impossível deter uma pandemia,
pois ela é causada por um vírus que se dissemina rapidamente por tosse
ou espirro. O fato de pessoas infectadas disseminarem o vírus antes
mesmo do aparecimento de sintomas, aumenta o risco da disseminação
mundial através de viajantes de aviões assintomáticos.
A severidade da doença e o número de mortes ocasionadas por um vírus
pandêmico variam muito, e não podem ser previstas antes do surgimento
do vírus. Na melhor das hipóteses, supondo que o novo vírus cause
doença leve, o mundo ainda poderia ter de 2 a 7,4 milhões de mortes
(números projetados a partir de dados obtidos na pandemia de 1957). As
projeções para um vírus mais virulento são piores. A pandemia de 1918,
de letalidade excepcional, matou no mínimo 40 milhões de pessoas. Nos
Estados Unidos, a taxa de mortalidade por essa pandemia girou em torno
de 2,5%.
Uma pandemia causa grande aumento no número de pessoas necessitadas de
cuidados médicos ou de tratamento hospitalar, sobrecarregando
temporariamente os serviços de saúde. Altas taxas de faltas no trabalho
podem também interromper serviços essenciais, como os de segurança
pública, transportes e comunicações. Como toda a população é altamente
suscetível a um vírus como o H5N1, a incidência da doença pode aumentar
rapidamente em comunidades específicas. Isto significa que as divisões
sociais e econômicas podem ser temporárias. Elas podem, no entanto, ser
ampliadas nos sistemas de comércio internaciona, hoje extremamente
interligado e interdependente. Baseando-se na experiência do passado,
uma segunda onda de disseminação global poderia ser antecipada em um
ano.
Uma vez que todos os países estão sujeitos a enfrentar situações
emergenciais durante uma pandemia, as oportunidades de assistência
mútua - como tem ocorrido nos desastres naturais (tsunamis, terremotos)
ou focos localizados de doenças - podem ser antecipadas uma vez que a
disseminação internacional já começou e os governos enfocam a proteção
das populações domésticas.
16) Quais são os sinais de que uma pandemia está se iniciando?
O sinal de alerta mais importante é a detecção de grupos de
pacientes próximos (no tempo e no espaço) com sintomas clínicos de
influenza, já que isto sugere que a transmissão entre humanos está
ocorrendo. Pelas mesmas razões, a detecção da doença em trabalhadores
da área da saúde que estejam cuidando de pacientes com H5N1 sugeriria
transmissão de humano para humano. Se vier a ocorrer, a detecção deste
tipo de caso deve ser seguida de imediata investigação a campo de todo
caso passível, para se confirmar o diagnóstico, identificar a origem e
determinar se a transmissão humano-humano está se efetivando.
Estudos virais, conduzidos por laboratórios de referência da OMS, podem
corroborar as investigações a campo através da identificação de
mudanças genéticas (e outras) que indiquem uma habilidade maior em
infectar humanos. Esta é a razão pela qual a OMS pede aos países,
insistentemente, que compartilhem os vírus com a comunidade de pesquisa
internacional.
17) Qual é o status da produção e desenvolvimento da vacina humana?
Ainda não estão disponíveis vacinas humanas eficazes contra um
vírus pandêmico. A cada ano são produzidas vacinas para a gripe da
estação, mas estas não protegerão contra a influenza pandêmica. Embora
vacinas contra o vírus H5N1 estejam em desenvolvimento em vários
países, nenhuma delas está pronta para produção comercial e nenhuma
vacina deve estar amplamente disponível vários meses depois do começo
de uma pandemia.
Alguns experimentos clínicos atuais avaliam se as vacinas em teste
proverão completa proteção e procuram determinar se diferentes
formulações poderiam reduzir o volume de antígeno necessário (o que
aumentaria a capacidade de produção). Uma vez que a vacina precisa
combinar com o vírus pandêmico, a produção comercial em larga escala
não começará até que o novo vírus surja e seja declarada a ocorrência
de uma pandemia. A atual capacidade de produção global não chega perto
da demanda esperada para uma pandemia.
18) Que medicamentos estão disponíveis para o tratamento?
Dois remédios (da classe dos inibidores das neuraminidases),
oseltamivir (comercialmente conhecido por Tamiflu) e zanamivir
(comercialmente conhecido por Relenza), podem reduzir a severidade e a
duração da doença causadas pela influenza da estação. A eficácia dos
inibidores de neuraminidases depende de sua administração até 48 horas
depois do início dos sintomas. Para casos de infecção humana pelo H5N1,
os remédios podem melhorar as chances de sobrevivência, se
administrados preococemente. Mas há poucos dados clínicos sobre isso.
Supõe-se que o vírus H5N1 seja suscetível aos inibidores de
neuraminidase.
Uma classe mais antiga de medicamentos anti-virais - os inibidores das
proteínas M2, amantadina e rimantadina – têm potencial de uso contra
uma pandemia de influenza, mas a resistência a essas drogas pode se
desenvolver rapidamente, limitando significativamente sua eficácia
contra a influenza pandêmica. Algumas cepas de H5N1 ora circulantes são
completamente resistentes a estes inibidores de M2. No entanto, se um
novo vírus aparecer através de reagrupamento, os inibidores de M2 podem
ser eficazes.
Para os inibidores de neuraminidase, os principais obstáculos – e eles
são substanciais – envolvem capacidade de produção limitada e um preço
que é proibitivamente alto para muitos países. Considerada a capacidade
de produção atual, que recentemente quadruplicou, levará uma década
para produzir oseltamivir suficiente para tratar 20% da população
mundial. O processo de produção do medicamento é complexo, consome
tempo e não é facilmente transferível para outros locais.
Até o momento, a maioria das pneumonias fatais observadas em casos de
infecção pelo H5N1 foi resultado dos efeitos do vírus e não puderam ser
tratadas com antibióticos. Apesar disso, como a influenza é geralmente
complicada por infecção bacteriana secundária nos pulmões, os
antibióticos podem salvar vidas no caso de uma pneumonia tardia. A OMS
observa que é prudente os países assegurarem antecipadamente estoques
adequados de antibióticos.
19) Pode-se prevenir uma pandemia?
Ninguém sabe com certeza. O melhor jeito de prevenir uma
pandemia seria eliminar o vírus das aves. Mas é cada vez mais duvidoso
que isto possa ocorrer em futuro próximo.
Através de uma doação da indústria, a OMS disporá, até o início de
2006, de um estoque de antivirais suficientes para o tratamento de 3
milhões de pessoas. Estudos recentes, baseados num modelo matemático,
sugerem que esses medicamentos poderiam ser usados profilaticamente,
perto do começo de uma pandemia, para reduzir o risco de aparecimento
de vírus totalmente transmissíveis ou para atrasar sua disseminação em
nível internacional, dessa forma ganhando-se tempo para aumentar o
estoque das vacinas disponíveis.
O sucesso dessa estratégia, que nunca fui testada, depende de várias
suposições sobre o comportamento inicial de um vírus pandêmico, que não
pode ser conhecido de antemão.O sucesso também depende da excelência na
capacidade de fiscalização e logística nas áreas inicialmente afetadas,
combinadas com a habilidade de reforçar as restrições de circulação
dentro e fora das áreas afetadas. Para aumentar as probabilidades de
sucesso da intervenção precoce (usando o estoque de medicamentos
antivirais da OMS), a vigilância nos países afetados precisa melhorar,
particularmente no que diz respeito à capacidade de detectar grupos de
casos próximos em tempo e lugar.
20) Que ações estratégicas são recomendadas pela OMS?
Em agosto de 2005, a OMS mandou a todos os países um documento
descrevendo as ações estratégicas recomendadas (leia aqui) para
responder à ameaça de uma pandemia de influenza aviária. As ações
recomendadas visam a reforçar a prontidão nacional, reduzir as
probabilidades de surgimento de um vírus pandêmico, melhorar o sistema
de detecção precoce, adiar o início da disseminação internacional e
acelerar o desenvolvimento da vacina.
21) O mundo está adequadamente preparado?
Não. Apesar de uma advertência antecipada que já tem mais de
dois anos, o mundo permanece despreparado para enfrentar uma pandemia.
A OMS tem incentivado todos os países a desenvolver planos de
preparação, mas apenas 40 já o fizeram. A OMS também indicou que os
países que tenham recursos adequados façam estoque de medicamentos
antivirais para uso no início de uma pandemia. Cerca de 30 países estão
comprando grandes quantidades destes medicamentos, mas os fabricantes
não têm capacidade para atender os pedidos imediatamente. Na tendência
atual, a maioria dos países em desenvolvimento não terão acesso a
vacinas e medicamentos antivirais durante toda a pandemia.
Dados da Organização Mundial da Saúde
Tradução: Caroline Voigt - AviSite
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