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28/11/2005
Criadores esperam decolagem da avestruz

Brasil tem 170 mil "cabeças" da ave; estimativa é subir para 500 mil em três a quatro anos.
O abate comercial de avestruzes deve se tornar viável no Brasil dentro de três a quatro anos. A expectativa gerada pelo novo negócio tem levado muita gente a investir nas aves. Hoje, há perto de 1 mil criadores e 170 mil cabeças, na maioria reprodutores. É a partir deles que os desbravadores do novo filão esperam chegar a uma criação de 500 mil animais. Esta é a escala necessária, segundo representantes do setor, para sustentar uma indústria de beneficiamento competitiva o suficiente para entrar no mercado internacional. A ave de corpo grande e desengonçado tem uma ficha que impressiona. Na área onde é criado um boi em sistema extensivo, são manejadas perto de 100 avestruzes. Além disso, elas ficam prontas para o abate mais cedo, com apenas 12 meses, e se reproduzem por mais tempo. O preço de sua carne chega a R$ 70 o quilo. Quem já provou, diz que a iguaria é muito parecida com o filé mignon. "Mas a avestruz é mais saudável, tem menos colesterol e é rica em ômega 3", apregoa Maria Judite Zago, presidente da Associação Brasileira de Estrutiocultura (Abre). "No futuro vamos até fazer uma campanha junto aos cardiologistas para a carne ser recomendada nas dietas", diz.
O bicho de 100 quilos guarda 30 quilos da valiosa carne, mas o rendimento para o criador vai além. O couro e os miúdos da avestruz também são cobiçados no mercado. De uma ave é retirado pouco mais de 1 m· de pele, vendida a cerca de R$ 1,2 mil depois de beneficiada. "A rentabilidade é boa, mas não comparo com o boi. Custos de manejo são diferentes e gado confinado também dá um lucro alto", pondera Maria Judite. Segundo ela, o animal é uma opção para pequenos produtores ligados a empresas ou cooperativas que ajudam no abate e dão assistência técnica.
No Paraná, existem perto de 200 criadores iniciando seus plantéis. Eles normalmente começam com poucos casais e terceirizam o serviço de abate e beneficiamento do couro. De acordo com Charles Piveta Assunção, presidente da Cooperativa Paranaense de Avestruz (Copatruz), o investimento inicial deve ser de dez casais da ave. O custo varia de acordo com a idade e a qualidade dos animais. "É possível começar com menos, mas é como criar gado com um boi e uma vaca. Se um fica doente ou machucado, acaba o rebanho", explica.
Para viabilizar a criação, um grupo de 75 pessoas da região de Maringá fundou a Copatruz. Quem quiser investir na avestruz, entra como sócio. "Temos quase 200 aves e queremos chegar a 250 casais de matrizes em pouco tempo. Daí vamos passar para a criação para o abate", conta Assunção. Ele diz que diversas empresas do setor focam as atividades na venda de matrizes, o que torna o lucro mais rápido. O objetivo da cooperativa, no entanto, é montar uma estrutura que envolva toda a cadeia produtiva da avestruz.
Formar uma cooperativa também é a meta de uma empresa de Curitiba, a Top Avestruz, que começou a operar há quatro meses. "Estudamos um sistema para que nossos clientes se tornem cooperados. Queremos aproveitar industrialmente a ave", afirma Cláudio Sarza de Souza, gerente comercial da empresa. Para captar investidores, a Top Avestruz garante a recompra dos animais.

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